quinta-feira, 11 de março de 2010

Microprodução - Um investimento de combate à crise financeira e ambiental

Actualmente, é notória a resposta da Natureza às constantes agressões ambientais por parte do Homem, como se pode ver nas recentes intempéries e catástrofes naturais registadas ao longo de todo o globo. É urgente tomar medidas para a redução do consumo de combustíveis fósseis e consequentemente emissão de gases com efeito de estufa. A preocupação é global mas ainda não é levada a sério a 100% por todas as nações, principalmente os que possuem mercados emergentes, como se pôde verificar na cimeira de Copenhaga.

A ideia é bastante simples, por que não apostarmos em energia renovável não poluente? Diariamente somos brindados com uma fonte "inesgotável" de energia que nos cai do céu e não a aproveitamos como devíamos! A energia solar.
Sabe-se que 85% de toda a energia eléctrica consumida em Portugal é importada; ironicamente Portugal é o país da União Europeia com maior taxa de exposição solar. O pensamento de que somos os piores em tudo cega-nos ao ponto de não aproveitarmos aquilo em que somos de facto melhores.  E no caso da exposição solar não corremos o risco de sermos ultrapassados por nenhum outro país da União Europeia excepto, salvo seja, se ocorrer um sismo na Europa que, à semelhança do Chile, altere o eixo de rotação da Terra.

Ao importarmos energia, como qualquer outra importação, estamos a gastar dinheiro, dinheiro este que se for investido neste tipo de produção energética obtém-se pelo menos 2 excelentes resultados a médio e longo prazo:

- é reduzida a despesa de importação uma vez que com geração energética doméstica deixa de ser necessária a importação,
- uma vez satisfeitas as exigências energéticas com base em energia renovável não poluente é reduzido o consumo de combustíveis fósseis e gases com efeito de estufa.
- o orçamento usado anualmente para importação de energia poderia dessa forma ser investido noutros sectores e, no limite, poderemos gerar riqueza ao exportar a nossa própria energia produzida em Portugal!

Este conceito não está associado apenas a grandes investidores nem é, de todo, tão irrealista quanto aparenta ser. Actualmente existe uma campanha onde cada casa pode tornar-se um microprodutor de energia, através da utilização de painéis fotovoltaicos, com uma tarifa bonificada. Resumidamente, e podem posteriormente obter mais informações neste site, toda a energia produzida será obrigatoriamente vendida à rede a um preço 5 vezes superior ao preço de aquisição. Quer isto dizer que, imaginando que cada casa produza o equivalente ao seu consumo mensal de energia, irá receber 4 vezes o valor que gastaria para contratar essa mesma energia à rede! Ou seja, se uma casa consome (suponhamos) 500kW de energia e que por cada kW contratado paga €0,10 à rede teria que pagar à rede €50. Supondo que essa mesma casa tivesse um painel fotovoltaico que produzisse os mesmos 500kW vendendo-os à rede por um preço de €0,50 por kW, contratando IGUALMENTE os 500kW à rede, gastaria os €50 do consumo mas obteria €250 pela venda da energia produzida, o que se traduziria num encaixe de €200/mês! Este pequeno lucro mensal irá amortizar  progressivamente o investimento feito pela instalação do sistema fotovoltaico e tem 100% de retorno, em média, entre 5 a 8 anos, uma vez que estes sistemas rondam os 20 a 35mil euros.

Por outras palavras, todos temos um encargo mensal ou bimensal com a factura da luz; em vez de colocarmos este dinheiro em saco roto, pagamos duma só vez 5 anos de luz, colocamo-lo no telhado de nossa casa e nunca mais teremos que pagar luz novamente. Com a benesse de que ao fim de 5 anos, esses 20 a 35mil euros estarão novamente no nosso bolso e ainda iremos facturar com a produção de energia a partir desses mesmos 5 anos!

Ora se demoramos 5 anos a retornar um investimento de 20 mil euros, posso ir mais longe... A dívida externa portuguesa ascende aos 17mil euros por cada português! Se cada português tiver um painel fotovoltaico, em 5 anos pagamos o painel, em 10 anos Portugal não tem dívida externa, em 50 anos os nossos netos terão um ambiente muito menos poluído e Portugal será um mercado emergente... :) (claro que seria necessário que a Europa nos desse a mesma tarifa bonificada de venda de 5 para 1 mas no pior dos cenários reduzimos a nossa despesa de consumo de energia para 0 e ainda vendemos qualquer coisita...)

Fica a sugestão !

2 comentários:

Giga disse...

Acho que toda a gente concorda com os beneficios que esta tecnologia traz. No entanto há que salvaguardar a questão economica. Os portugueses andam lisos que nem carapaus e o equipamento ainda é algo que nao é possivel ser adquirido pela grande maioria dos tugas...

quando tiver uma casa minha farei por ter este tipo de fontes de energia.

Espinha disse...

Sim é um facto, no entanto a solução pode passar pelo sistema de financiamento por parte das empresas instaladoras. Se fosse possível que tais empresas pudessem criar uma mensalidade no valor da factura da electricidade, por exemplo, o consumidor que já paga essa mensalidade estaria a investir numa coisa sua para ter o mesmo, energia!